domingo, 27 de abril de 2014

Paraiso1

A partir de agora minha visão era ainda maior
Do que nossa linguagem que não estava `a altura,
E a memória cede lugar ao inaudito.

Paraiso
Dante

sexta-feira, 21 de março de 2014

Stevens 3

Para o ouvinte, que ouve na neve
E, nada sendo, nada  vê  do que
Ali não está e vê o nada que esta'.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Reparação e retorno

Pergunte-me da minha volta, da data do meu retorno, do dia e da hora da chegada do meu trem, das horas da aterrissagem do meu avião e qual o portão, qual a saída que figurara’ o seu corpo e seu chapéu, encantados, diga-me logo, que já’ nao suporto mais a tua espera, a tua ausência.
No infinito, nada se reduz como a um fim de tarde, em longos tons de vermelho, e ao gosto azedo, agridoce de seus desprezos, infelizes, repetidos. 
Desagradáveis.
Incontáveis.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Vida


Perdido um ano,
ganha-se um outro afinal. 

Desfeita a glo'ria, o sucesso, a ambição,,
me imponho a modéstia, o jeito humilde de cada manha,
o estreito caminho de toda tarde, 
a limitação da curta palavra.

Perdido o encanto e o tento,
o esforço e a louca vontade,
desfeita a linha e o traço, condenado.


Supera-me.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Palacio de inverno

Mas hoje o poder não tem um lugar a ser tomado, não ha’ mais um palácio do inverno a ser ocupado, o poder, ele se se escamoteia entre relações de controle, gestão e subordinação, através da forca física e da violência , mas muito mais insidioso, pelas ideias e ideologias que conformam e imolam o pensamento e a opinião comum ao interesse burguês e do capital. 

domingo, 15 de dezembro de 2013

Lamento

Lamento,
Mas minha alma está longe.

Atrasada, desfiada, desafinada a minha fala. 
Lamento, 
Mas perdi a voz e o tento, a brecha e a oportunidade no tempo.

Desmanchada, desfocada a minha alma.
Lamento, 

Mas sobra em parte, em fragmento, um troço de mim.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

outros


Quem me pergunta, 
Mas sabe de antemão a resposta,
Quem conhece toda a distancia, ao pisar
Em seu bordo inicial?

Quem me surpreende, na verdade,
Quem me escuta,
Quem, serão os de sempre?

Quem se move aos montes, nas ruas, 
serão os de sempre, outros,
iguais aos iguais que caminham ao meu lado, 

e fazem o caminho, a circular?