Para o ouvinte, que ouve na neve
E, nada sendo, nada vê do que
Ali não está e vê o nada que esta'.
sexta-feira, 21 de março de 2014
sábado, 11 de janeiro de 2014
Reparação e retorno
Pergunte-me da minha volta, da data do meu retorno, do dia e da hora da chegada do meu trem, das horas da aterrissagem do meu avião e qual o portão, qual a saída que figurara’ o seu corpo e seu chapéu, encantados, diga-me logo, que já’ nao suporto mais a tua espera, a tua ausência.
No infinito, nada se reduz como a um fim de tarde, em longos tons de vermelho, e ao gosto azedo, agridoce de seus desprezos, infelizes, repetidos.
Desagradáveis.
Incontáveis.
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Vida
Perdido um ano,
ganha-se um outro afinal.
Desfeita a glo'ria, o sucesso, a ambição,,
me imponho a modéstia, o jeito humilde de cada manha,
o estreito caminho de toda tarde,
a limitação da curta palavra.
Perdido o encanto e o tento,
o esforço e a louca vontade,
desfeita a linha e o traço, condenado.
Supera-me.
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Palacio de inverno
Mas hoje o poder não tem um lugar a ser tomado, não ha’ mais um palácio do inverno a ser ocupado, o poder, ele se se escamoteia entre relações de controle, gestão e subordinação, através da forca física e da violência , mas muito mais insidioso, pelas ideias e ideologias que conformam e imolam o pensamento e a opinião comum ao interesse burguês e do capital.
domingo, 15 de dezembro de 2013
Lamento
Lamento,
Mas minha alma está longe.
Atrasada, desfiada, desafinada a minha fala.
Lamento,
Mas perdi a voz e o tento, a brecha e a oportunidade no tempo.
Desmanchada, desfocada a minha alma.
Lamento,
Mas sobra em parte, em fragmento, um troço de mim.
terça-feira, 26 de novembro de 2013
outros
Quem me pergunta,
Mas sabe de antemão a resposta,
Quem conhece toda a distancia, ao pisar
Em seu bordo inicial?
Quem me surpreende, na verdade,
Quem me escuta,
Quem, serão os de sempre?
Quem se move aos montes, nas ruas,
serão os de sempre, outros,
iguais aos iguais que caminham ao meu lado,
e fazem o caminho, a circular?
sábado, 24 de agosto de 2013
O Infinito
Sempre me foi cara esta erma colina,
e esta sebe, que em muitos pontos
do ultimo horizonte esconde a vista.
Porem, sentado, contemplando espaços
sem fim alem daquela, e sobre-humanos
silêncios, e mais que profunda calma
em pensamento finjo; onde por pouco
o coração nao turva. E como o vento
ouco a zoar entre estas plantas, aquele
infinito silencio a esta voz
vou comparando: e lembra-me o eterno,
e as mortas estações, e a presente
e viva, com seu som. E entao se afoga
nesta imensidão meu pensamento;
e o naufragar me e’ doce neste mar.
Giacomo Leopardi
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