domingo, 4 de julho de 2010

Sem comentarios

Faz anos que falo sozinho,
no ar,
sem comentarios.

sábado, 22 de maio de 2010

Castelo

Vamos a frente, ilustres carpinteiros, levantemos o mastro, ergamos a bandeira e o estandarte, em direcao do porvir.

Avancemos guerreiros, da noite profunda traremos a luz e a vito'ria.

Cavaleiros, cavalgai as planícies e os montes, mergulhai seus horizontes em súbitos panoramas, cavalgai.


No alto da muralha, caminha o espectro, desliza sua leveza por entre as pedras da fortificação, movimenta sua penas, seus ais, seus sonhos desfeitos.

O sentinela isolado se abriga do frio e do vento, se pergunta, se almeja e se deseja campeão.

O sentinela da noite desfeita.

Mergulhai seus pensamentos no escuro, mergulhai na negra noite.


Nas margens do castelo, do outro lado das portas e do fosso, a cidade ensaia o prazer e o gosto.

Emoção.

Afinal...


domingo, 16 de maio de 2010

Sem comenta'rios

Ninguem me denuncia a fala discreta,
nada me impede,
falo a vontade.

sábado, 1 de maio de 2010

Maio

Retomo escondido as luzes,
reduzo a espera,
religo a ponte partida.

Duvido que venhas, brilhante, novamente,
que ilustre o corredor,
mas um reflexo no vidro
ilumina os devidos caminhos futuros.

domingo, 18 de abril de 2010

Eva e Lilases

Este lado, em paraíso, a rubra cobra desliza,

Em direção ao abril.

Desliza o silente dito

Em direção ao inverno.

Agrada-me, tão longe, supera-me, em falas,

Sem meios de respondê-la, o espelhado desejo, esgotado.

Em fim, sem fim, esvazio de lado,

O último pingo

Da amarga paixão.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Quem

Me dera a obsessão dos santos e dos revolucionários,
o desejo dos libertinos, a volúpia dos libertos,
o sonho dos amantes.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Torta

Na panela de barro repousa
a santa torta capixaba.
Comamos, indios, negros, europeus imigrantes,
este presente do mar e terra,
esta almagama de sabores e prazeres.