quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Paraiso perdido


A arvore da vida  
E o Senhor Deus fez brotar da terra toda a árvore agradável à vista, e boa para comida; e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal.
Gênesis 2:9

Qual e’ o papel da arvore da vida no plano de salvação, da redenção?

Nela se concentra o conhecimento do futuro, interdito aos mortais, nela se articula a fala universal, o dito profundo, o indizível, limitada no individuo, ela concentra o objeto do desejo e do saber, nela se expõem, ao sensível, a dor e o sofrimento, que se somam o bem, a beleza e a verdade, a alegria e a felicidade, na historia dos homens,  seus ganhos e perdas.

Expulsos, tentamos troca’-la, uma arvore por uma torre, de babel, uma obra que tenta ( re) unificar o disperso, busca atingir os céus, desafiar a decisão divina. Mas mais forte e’ o mando de Deus, que lançou a cizânia e a discórdia entre os homens, inimizados por diferenças e valores. Espalhados pela terra, reconstruímos, com ou sem acordo, novas cidades e destinos, ocupamos cada grão de plantio e floresta, cada nova rua e muralha. E muitos fomos, de guerra e paz, insatisfeitos com a perda original, injusto ato do senhor a adão e eva e a todos os seus descendentes, incapazes ainda hoje que somos de reunir o universal sentido.

Tem forma esta arvore da vida, seus frutos ainda guardados, desfeitos pelo chão, aguardam

Mineração



Careço, da reconciliação,
A pedra partida.
O veio estendido, esquivo,
Pela terra mergulhado, escavo.

Submeto a tradição,
ao espanto do dia,
`a luz esmaecida.

Enfrento sem convicção.

Lamento.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Vontade

Fala a macia espera da tarde,
Diz o momento certo, na calada, na juntada, na mesmice espera,
Diz. Prediz.
Lamento, mas há poucas sementes na terra.
Ou nenhuma,
maior a vontade,
maior a desilusão.

domingo, 9 de novembro de 2014

sentimento do mundo

sentimento do mundo
Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo, mas estou cheio de escravos, minhas lembranças escorrem e o corpo transige
na confluência do amor.
Quando me levantar, o céu estará morto e saqueado, eu mesmo estarei morto, morto meu desejo, morto o pântano sem acordes.
Os camaradas não disseram que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento. Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras, humildemente vos peço que me perdoeis.
Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microscopista que habitavam a barraca
e não foram encontrados ao amanhecer
esse amanhecer
mais noite que a noite.
Carlos Drummond de Andrade

1940

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

O CARRINHO DE MÂO VERMELHO


tanta coisa depende
de um

carrinho de mão
vermelho


esmaltado de água de
chuva

ao lado das galinhas
brancas.


william carlos williams

trad. jose carlos paes

sábado, 13 de setembro de 2014

Linhas


Imagine.
No canto da sala,
esvai o suor e o doce cheiro da noite
invade a varanda e os quintais.

Desmanche
A renda incompleta, os laços e as fitas, dobradas.
O risco de carbono 
azul, escorrega
Do bordado, do colo da mulher.

Invente
Outro projeto, sentido, outro lugar, 
quando,
Sobraram poucos pontos a
Costurar.


segunda-feira, 8 de setembro de 2014

o meu amor

Nas ruas da cidade caminha o meu amor. 
Pouco importa onde vai no tempo dividido. 
Já não é meu amor, todos podem falar-lhe. 
Ele já não se recorda. 
Quem de fato o amou e de longe o ilumina para que não caia?


rene' char