sábado, 13 de setembro de 2014

Linhas


Imagine.
No canto da sala,
esvai o suor e o doce cheiro da noite
invade a varanda e os quintais.

Desmanche
A renda incompleta, os laços e as fitas, dobradas.
O risco de carbono 
azul, escorrega
Do bordado, do colo da mulher.

Invente
Outro projeto, sentido, outro lugar, 
quando,
Sobraram poucos pontos a
Costurar.


segunda-feira, 8 de setembro de 2014

o meu amor

Nas ruas da cidade caminha o meu amor. 
Pouco importa onde vai no tempo dividido. 
Já não é meu amor, todos podem falar-lhe. 
Ele já não se recorda. 
Quem de fato o amou e de longe o ilumina para que não caia?


rene' char

 

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Enfim



Aceito a hora,
A pressa,
O contido desejo da chegada.

Desprezo a noite fria,
O alento e as damas, da noite,
Inebriando o corpo exangue.

Intimo tua voz,
Ao desembarque esperado,
enfim!

sexta-feira, 27 de junho de 2014

encanto


me pergunto, 
saberei a hora da verdade, o tempo que resta, o dia que acorda,
claro e brilhante?
sem gosto, sem jeito, sem dor.
irei encontrar a porta da chegada, o mês da primavera
o abril de outros, e dos lilases.?
e, finalmente, na cova santa, dos leões,
pela curva finda da pergunta, com o jeito frouxo da gravata,
dobrarei a massa linda da montanha azul.

duas vezes dez, três vezes oito, 
uma multidão espirra seus sonhos e ilusões, pedra a pedra 
nas ruas do encanto e da solidão,
quatro vezes.


abril 2014

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Stevens 4

Foi quando eu disse,
Não existe essa tal de verdade,
Que as uvas pareceram maiores,
A raposa saiu correndo de sua toca.

Wallace Stevens

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Viver

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Onde as forças e o espirito,
Onde os desejos,
           Os beijos,
           Os maduros queijos.

Quando sem fins e meios,
Quando de lado,
                 Desafio a corda,
                 O doce de leite e os quintais.

Despejo o sol e a gasolina,
Em toneis,
Em longa mangueiras,

E lanço a chama e a explosão.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Alegria

E no fino muro que os separa,
O construtor deixou uma estreita fresta,
Onde, muito contente no descontentamento,
Uma alegria que luta consigo mesma_
Morre para uma vida mais intensa.

Coleridge