sexta-feira, 13 de maio de 2011

Pesares

De manhã à noite, dilúvio sobre a cidade,
Desloca o sentido,
Embrutece os sabores,
O cheiros e olores.
Dia de chuva, tempestade,
Nos telhados, os pingos em profusão,
Tamborilam tambores,
Efusão de ruídos,
De ritmos, de dores,
De contínuos pesares
Noturnos.

Como sempre


O peso não pesa ao corpo,
nem o espírito desmancha em brisas, em ventos ventosos.
Em relâmpagos em xis, soam enigmas,
Amem.

No intervalo, recupero a bola lançada ao alto do telhado,
Embora, telhas e galhos, suspensos nos céus, caquis e carambolas, aspiram.
No fim da quintal,
Na brecha do céu,
No escuro do muro,
Reconheço o gosto da fruta do pecado,
me escapa o nome, o sabor, o aroma, o sopro e  mel.

No boliche, me espinha junto a pele, o suéter,
me suspira um encanto, em canto,
me inspira e me apaixona a toalha xadrez.
Em santo Antonio, desafio as chegadas de alguém.
Serei eu que caminha, sozinho, para a casa,
nas ruas cercadas de sombras e cheiros?

domingo, 30 de janeiro de 2011

Castelo

Nas margens do castelo,

do outro lado das portas e do fosso,

a cidade ensaia o prazer e o gosto.

Emoção.

Afinal.



quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Em tempos.

E para que poetas em tempos de indigência?

mas eles sao, dizes, como os sacerdotes consagrados pelo deus do vinho

Que caminham de um lugar a outro na noite santa.

Holderlin



segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O meu segredo

Mas será tarde demais;

e eu seguirei sem voz

entre os homens que não se voltam,

com o meu segredo.

Eugenio Montale


domingo, 12 de dezembro de 2010

Toda a palavra

E' possível?
"Toda palavra pronunciada determina uma mudança no mundo,cria alguma coisa,
...o poder para fazer nascer uma planta."
Benveniste


sábado, 4 de dezembro de 2010

Interessa

Interessa o vento
este sentimento,
me interessa as inumeras,
a memoria e o esquecimento,
o que se fixa e escapa,
a melancolia,
" um sofrimento d'alma diante das dificuldades de se situar no mundo".
Cesario Verde